Aparelho Digestivo

Pólipos

Pólipo é a estrutura que se projecta, que faz procidência numa superfície. Pólipo não é sinónimo de tumor. Muitos pólipos não são tumores (neoplasias), nem benignos nem malignos. Os pólipos do cólon são classificados de acordo com a sua morfologia microscópica em:
Micropólipo séssil na ampola rectal.

OS PÓLIPOS SÃO FREQUENTES?

A incidência de pólipos no cólon aumenta com a idade. Nos EUA depois dos 60 anos de idade 40% a 50% das pessoas têm pólipos no cólon.  No entanto, em África, menos de 0.5% da população tem pólipos no cólon. Mais de 50 % dos pólipos do cólon são adenomas. Os adenomas são tumores benignos que podem evoluir para cancro. Nem todos os adenomas do cólon evoluem até cancro mas praticamente todos os cancros do cólon nascem dum adenoma. Calcula-se que 3% dos pólipos com 1 cm de diâmetro se transformam em cancro ao fim de 5 anos, 8% ao fim de 10 anos e 24% ao fim de 20 anos. Como vemos a maior parte dos pólipos adenomatosos permanecem estáveis, nunca evoluem para cancro, e alguns até regridem. Cerca de 50% dos pólipos do cólon não são ademomas, isto é, não são tumores. Como só conhecemos a natureza do pólipo depois de o examinar ao microscópio e, como desconhecemos se determinado pólipo vai ou não evoluir para cancro temos que os remover todos. Os pólipos nem sempre são solitários, com frequência, encontramos 2, 3 e mais pólipos, mais ou menos, afastados uns dos outros. Se o número de pólipos é elevado, várias dezenas, estamos perante uma polipose.  Durante muito tempo confundiran-se os pólipos serreados com pólipos hiperplásicos. Os pólipos serreados hiperplásicos não têm potencial maligno mas os pólipos serreadossésseis e os pólipos serreados tradicionais representam cerca de 25% dos pólipos serreados e têm potencial maligno.  Duas palavras ainda sobre displasia que assusta muita gente. No diagnóstico histológico dos pólipos por vezes o patologista descreve " adenoma com displasia de baixo grau" Todos os adenomas são compostos de células epiteliais displásticas. Num menor número de casos o patologista diz: "adenoma com displasia de alto grau". Isto quer dizer que o patologista observou além da displasia também atipia das células, nestes casos de displasia de alto grau, o nosso médico, explica-nos  que tem de haver cuidados especiais.

COMO SABEMOS SE TEMOS PÓLIPOS?

Os pólipos do cólon geralmente são silenciosos, não dão nenhuma manifestação. Por vezes o pólipo causa perdas de sangue que não são visíveis mas causam anemia. Outras vezes o pólipo dá origem a perdas de sangue visíveis nas fezes: rectorragia (hematoquézia). Na maior parte das vezes, o pólipo descobre-se durante um exame endoscópico (fibrossigmóidoscopia ou colonoscopia) ou radiológico, feito por motivos que nada têm a ver com o pólipo; dor abdominal, alterações do transito (obstipação/diarreia), distensão abdominal, dor de barriga, exame de rastreio, etc.

ONDE SE LOCALIZAM OS PÓLIPOS?

Em Portugal, mostram os resultados de rastreios recentemente efectuados, e vindos a lume em 2007 que mais de 80% dos pólipos e mais de 86% dos adenomas do cólon se localizam na porção esquerda (entre o ânus e o ângulo esplénico). Estes resultados estâo de acordo com os observados em Espanha, na Corunha, no Hospial Universitário Juan Canalejo, como mostra a imagem ao lado, publicada em "Endoscopia Digestiva - Diagnóstica y terapêutica" de J.L. Vásquez-Iglesias 2008. A imagem mostra que 91% dos pólipos se localizam na ampola rectal, na sigmóide e no cólon ascendente. Nos paises mais ricos há mais pólipos na metade direita.

O QUE FAZER QUANDO SE DESCOBRE UM PÓLIPO?

Quando observa um pólipo no cólon é a seguinte: se o pólipo foi descoberto durante um exame endoscópico e tem menos de 5 mm de diâmetro, retira-o com a pinça de biopsia, se o pólipo tem mais de 5 mm retira-o com a ansa de polipectomia. Se o pólipo foi descoberto pelo Rx ( Clister Opaco ) ou por colonoscopia virtual, faz-se uma colonoscopia e o polipo é retirado por polipectomia. Se o exame microscópico do pólipo retirado mostra que que se trata dum adenoma deve fazer-se controlo endoscópico 3 anos depois e, se passados os três anos, não for encontrado nenhum pólipo, o controlo passa a fazer-se se de 5 em 5 anos. Se o exame microscópico mostrar que o pólipo não é um adenoma e, a pessoa tiver mais de 50 anos deve fazer controlo de 5 em 5 anos, tal como aos indivíduos sem pólipo.  

POLIPOSES

Quando no cólon se observam múltiplos pólipos estamos perante uma polipose. As polipose são afecções raras, algumas são mesmo raríssimas. Vamos descrever apenas duas das menos raras (Polipose Adenomatosa Familiar e Síndrome de Peutz-Jeghers). As duas são poliposes hereditárias, autossómicas dominantes mas, com evoluções diferentes. Autossómica dominante quer dizer que: 1 - O gene encontra-se num autossona e não num cromossoma sexual. Atinge tanto os homens como as mulheres 2 - O gene produz efeitos tanto nos homozigóticos como nos heterozigóticos 3 - Os membros não afectados da família não transmitem aos filhos 4 - Os indivíduos heterozigoticos transmitem o gene a metade da sua descendência Poplipose Adenomatosa Familiar (PAF). É uma doença hereditária ,autossómica dominante, muito rara, em que aparecem no cólon centenas ou milhares de pólipos que são adenomas ( tumores benignos ). O gene responsável pela doença é o gene APC ( Adenomatous Poliposis Coli ) localizado no cromossoma 5. Na Polipose Adenomatosa Familiar os pólipos aparecem pelos 16 anos de idade e, se não for removido o cólon ( a colectomia profilática faz-se pelos 18 - 20 anos ) o cancro aparece pelos 50 anos. Grande parte das pessoas com PAF além dos pólipos do cólon tem pólipos no estômago ( 50% ) e no duodeno ( 90% ) mas estes pólipos, sobretudo os do estômago raramente malignizam . Na PAF alem dos pólipos do cólon, do estômago, e do esófago podem aparecer tumores na pele ( Síndrome de Gardner ), no sistema nervoso ( Síndrome de Turcot ). Há uma forma atenuada da PAF em que o número de pólipos não ultrapassa os 30 e, por isso, tem menos risco de cancro. Nestas famílias o gene localizado no cromossoma 5, está alterado na sua extremidade. Como se previne, nestas famílias, o aparecimento de cancro ?: Os familiares devem iniciar o rastreio com fibrossigmóidoscopia pelos 10- 12 anos e repeti-la anualmente. O teste genético é hoje possível, deve fazer-se na puberdade e liberta o portador do gene de fazer fibrossigmóidoscopia anualmente. A endoscopia alta deve ser feita de 2 em 2 anos ou de 3 em 3 anos para despistar pólipos do estômago e do duodeno. O Síndrome de Peutz-Jegers é, tal como a Polipose Adenomatosa Familiar, uma doença hereditária, autossómica  dominante mas os pólipos são hamartomas ( e não adenomas ) e, localizam-se, sobretudo, no Intestino Delgado. É uma doença muito rara descrita pela primeira vez em 1921 por J.L.A. Peutz e posteriormente em 1949 por H. Jegers. Desde 1998 que sabemos que o gene afectado se localiza no cromossoma 19. Além dos pólipos aparecem máculas pigmentadas, castanhas - pretas - azuis, no lábios, na mucosa bocal e, na pele. Os pólipos atingem por vezes grandes dimensões e podem ser causa de hemorragia, de invaginação ou oclusão do Intestino Delgado, que podem obrigar a cirurgias repetidas mas, não evoluem para cancro embora, apareçam com frequência, nestes doentes, cancros no estômago, no duodeno, no pâncreas ... que obrigam a uma vigilância apertada.
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PÓLIPOS
Sem potencial maligno
Com potencial maligno
InflamatóriosJuvenisHamartomasSerreados hiperplásicos Pólipos adenomatosos   Pólipos serreados
Adenoma tubular Adenma tubuloviloso Adenomaviloso Pólipo serreado séssil Pólipo serreado tradicional
POLIPOSES HEREDITÁRIAS Adenomatosas o Polipose adenomatosa familiar (FAP) o Variantes da FAP Sindrome de Gardner Síndrome de Turcot FAP atenuada o Polipose MutYH Hamartomas o Síndrome de Peutz-Jegers o Polipose juvenil o Síndrome de Cowden
POLIPOSES NÃO HEREDITÁRIAS Síndrme de Cronkhite-Canada Polipose serreada
Carlos Carvalheira HOME ÍNDICE ENDOSCOPIA: Endoscopia alta Colonoscopia (endoscopia baixa)  IMAGENS ENDOSCÓPICAS: Esófago Estômago Duodeno Cólon e recto Ânus DOENÇAS Esófago			 Estômago			 Fígado				    Vias biliares Pâncreas Intestino Delgado Cólon (intestino grosso) Ânus Doenças Funcionais Intolerâcia e alergia alimentar	 TUMORES: O que são? O cancro em Portugal Pólipos do cólon Rastreio do cancro do cólon e recto (CCR) MEDICAMENTOS: Esófago		Estômago Fígado, vias biliares, pâncreas Intestino delgado, cólon Ânus p. seguinte p. anterior